Se nos últimos meses a conversa sobre o Uber era sobre como o uso de ferramentas de inteligência artificial dentro do negócio tinha saído do controle e consumido uma grande parte do orçamento da companhia, agora veio a onda de contenção de custos. A semana da empresa de mobilidade começou com um freio nos gastos com IA e terminou com demissões.
O primeiro corte veio com a criação de um limite mensal de US$ 1,5 mil por funcionário para o uso de ferramentas de IA agêntica e programação, incluindo o Claude Code, da Anthropic, e o Cursor.
A medida veio depois de um episódio constrangedor: em abril, o CTO da empresa revelou que o Uber havia consumido todo o orçamento anual de IA em apenas quatro meses — resultado direto de uma política interna que incentivava os funcionários a usar IA “o máximo possível” e chegou a criar rankings internos de uso entre equipes.
Antes do anúncio do limite de gastos, até mesmo o COO da empresa, Andrew Macdonald, havia externado suas dúvidas sobre como essa política irrestrita de uso de IA realmente traria resultados positivos para a companhia. Em entrevista em maio, ele afirmou que é difícil estabelecer uma relação entre o uso de IA e a criação efetiva de novos recursos para os usuários. “O link ainda não é visível”, disse.
Quanto aos cortes de funcionários, nesta quarta-feira (3), a companhia anunciou a eliminação de 23% dos postos de trabalho na divisão de People and Places, que inclui RH, recrutamento, infraestrutura de escritórios e cultura. Os cortes representam menos de 1% dos 34 mil funcionários globais da companhia e atingem principalmente cargos seniores.
A medida chega apenas três semanas após a nomeação da nova presidente, Jill Hazelbaker. Em memorando interno, ela justificou a decisão dizendo que “partes da organização se tornaram complexas e fragmentadas, com responsabilidades sobrepostas, ownership pouco claro e equipes operando longe dos negócios e parceiros que deveriam apoiar”.
Perguntado pela Bloomberg se os cortes são reflexo da política de IA, um porta-voz do Uber afirmou que eles não estão relacionados. Por outro lado, o contexto conta uma história diferente, já que, no mês passado, fontes de dentro do Uber afirmaram que a diretiva interna era desacelerar contratações devido ao uso de IA.
Por outro lado, se há economia de um lado, em outros os gastos continuam. O Uber segue contratando para mais de 800 posições, incluindo vagas ligadas à comercialização de robotáxis. Neste ano, a companhia já iniciou sua fase de testes com carros autônomos em cidades como Munique e Atlanta, além de ter firmado parcerias desde o ano passado com a Waymo para levar a tecnologia a cidades como Austin e San Francisco.
fonte: startups.com/ bloomberg


