A transformação provocada pela Inteligência Artificial nas empresas exige um novo perfil profissional capaz de unir tecnologia, estratégia e governança. Com esse objetivo, a Anhanguera, uma das maiores redes de ensino superior do Brasil, anunciou uma parceria para divulgar o novo MBA em Gestão de Inteligência Artificial com Metodologias Ágeis, voltado à formação de gestores preparados para liderar a adoção estratégica da IA nas organizações.
Para apresentar a proposta do curso, o Santotech Podcast realizou, na última quarta-feira (15), uma entrevista ao vivo conduzida pelo host Anthony Brito com o professor Renato Sant Anna, responsável pelo MBA e um dos principais especialistas brasileiros em gestão de Inteligência Artificial aplicada aos negócios.
Um novo profissional para a era da Inteligência Artificial
Durante a entrevista, Renato Sant Anna explicou que muitas empresas já iniciaram projetos envolvendo agentes de IA e automação inteligente, mas ainda enfrentam dificuldades para obter resultados consistentes.
Segundo o especialista, o problema não está apenas na tecnologia, mas principalmente na ausência de planejamento, governança e liderança especializada para conduzir essas iniciativas.
“O mercado está percebendo que implantar Inteligência Artificial não significa simplesmente contratar ferramentas. É necessário construir uma arquitetura de decisão, definir responsabilidades, estabelecer limites e integrar a IA aos objetivos estratégicos da organização”, destacou.
Nesse contexto surge a figura do Gestor de IA, profissional que atua como elo entre tecnologia e negócios, coordenando especialistas, avaliando riscos, estruturando processos de governança e garantindo que a Inteligência Artificial gere valor real para as empresas.
Governança será o maior desafio da IA
Outro tema amplamente discutido foi a crescente utilização de IAs agenticas, capazes de executar tarefas de forma autônoma.
Apesar do enorme potencial dessas tecnologias, Renato Sant Anna alertou que a ideia de organizações totalmente administradas por Inteligência Artificial ainda está distante da realidade.
Segundo ele, questões relacionadas à responsabilidade jurídica, ética e tomada de decisão tornam indispensável a presença humana.
O professor defende que as empresas adotem modelos de times híbridos, nos quais pessoas e Inteligência Artificial trabalham de forma complementar, sempre com mecanismos de controle — conhecidos internacionalmente como guard rails — capazes de limitar comportamentos inesperados dos agentes inteligentes.
IA deve ampliar capacidades humanas, não substituir pessoas
Um dos momentos de maior reflexão durante a entrevista ocorreu quando Renato abordou o risco da falsa sensação de produtividade gerada pelo uso indiscriminado da IA.
Segundo ele, muitas organizações acreditam estar produzindo mais apenas porque automatizaram diversas atividades, quando, na prática, transferiram todo o processo de raciocínio para as máquinas.
O especialista também fez um alerta sobre o chamado “Vibe Coding”, prática na qual profissionais delegam integralmente o desenvolvimento de soluções à Inteligência Artificial sem validação humana.
Para Renato Sant Anna, a IA deve funcionar como um copiloto, ampliando a capacidade intelectual das equipes, e não substituindo completamente a criatividade, o pensamento crítico e a tomada de decisão.
“O excesso de consumo de tokens sem uma estratégia clara pode gerar apenas uma falsa percepção de eficiência. É fundamental manter o ser humano dentro do ciclo de decisão, praticando o conceito de human-in-the-loop“, ressaltou.
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Debate internacional sobre regulamentação da IA
Durante a conversa, o professor também compartilhou sua atuação em organismos internacionais, incluindo discussões relacionadas à Organização das Nações Unidas (ONU).
Entre os temas defendidos estão políticas públicas voltadas ao letramento em Inteligência Artificial, mecanismos de governança global e propostas de taxação progressiva da automação como forma de minimizar impactos no mercado de trabalho durante a transição tecnológica.
Quem é Renato Sant Anna
Renato Sant Anna é Gestor de IA, Arquiteto de Inovação, consultor estratégico, autor e palestrante internacional.
Formado em Engenharia da Computação, possui especializações em Marketing pela FGV, Analytics em Big Data pela FIA, Negócios Digitais pela USP/Esalq e Empreendedorismo pela Unesp.
Ao longo da carreira liderou projetos de transformação digital e estratégias de Inteligência Artificial para empresas dos setores de varejo, tecnologia e SaaS.
Também é autor do livro Forjando Carreiras com IA, coautor de artigo publicado na Forbes USA, Board Member Latin America da DevNetwork e jurado de hackathons internacionais promovidos pela organização em 2025 e 2026.
Entre suas contribuições está a criação das 11 Leis da IA Colaborativa, manifesto que propõe uma Inteligência Artificial governada, ética, humana e orientada à geração de resultados.
Formação para uma nova realidade empresarial
Segundo Renato Sant Anna, o MBA foi estruturado para formar profissionais capazes de atuar em uma das funções que mais crescerão nos próximos anos: a gestão estratégica da Inteligência Artificial.
A formação reúne temas como arquitetura de decisão, governança, gestão do conhecimento, metodologias ágeis, liderança, inovação e estratégia, preparando executivos para conduzir projetos complexos de transformação digital.
Ao final da entrevista, ficou uma reflexão que resume o atual momento vivido pelas organizações:
Estamos diante da maior transformação tecnológica das últimas décadas. A Inteligência Artificial já está chegando a todos os níveis das empresas e dos governos, mas até que ponto essa revolução tem gerado benefícios concretos? Encontrar esse equilíbrio será um dos maiores desafios da próxima geração de líderes.
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