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    Industrialização dos golpes com IA desafia autenticação tradicional e exige nova estratégia contra fraudes

    Tecnologia permite automatizar ataques, personalizar golpes em larga escala e criar identidades digitais falsas; empresas precisam ampliar a análise de risco para além das credenciais
    Cibersegurança 05/09/2026Anthony BritoPor Anthony Brito6 minutos de leitura
    industrialização golpes ia autenticação estratégia fraudes
    industrialização golpes ia autenticação estratégia fraudes

    São Paulo – A inteligência artificial está mudando a forma como as fraudes digitais são planejadas e executadas. Com recursos capazes de gerar mensagens personalizadas, clonar vozes, produzir imagens e criar identidades digitais falsas em poucos minutos, criminosos passaram a operar com mais escala, velocidade e capacidade de simulação. Para empresas, o cenário reforça a necessidade de rever modelos tradicionais de autenticação e ampliar a análise de risco ao longo de toda a jornada do usuário.

    O cenário preocupa diferentes setores, especialmente porque mecanismos tradicionais de autenticação, baseados exclusivamente em informações estáticas como nome, documento, senha ou perguntas de segurança, já não são suficientes para comprovar que há uma pessoa real por trás de uma interação digital.

    Para Sebastian Stranieri, fundador e CEO da VU, empresa multinacional de proteção contra fraudes e de identidade digital, a mudança representa uma nova etapa na atuação do cibercrime. “A grande transformação é que a inteligência artificial reduziu as barreiras de entrada para o cibercrime. Antes, realizar um ataque sofisticado exigia conhecimento técnico, tempo e recursos. Hoje, muitas dessas capacidades podem ser automatizadas.”

    Segundo Stranieri, esse processo caracteriza o que pode ser chamado de industrialização da fraude. A IA permite que criminosos criem milhares de tentativas, personalizem abordagens e identifiquem rapidamente quais estratégias têm maior chance de sucesso. O resultado é uma combinação de escala, velocidade e capacidade de simulação que torna os golpes cada vez mais difíceis de reconhecer.

    Quando identificar um golpe fica mais difícil

    A diferença em relação às fraudes digitais tradicionais está, principalmente, na combinação entre escala, velocidade e capacidade de simulação. Textos bem escritos, imagens realistas, áudios clonados e vídeos manipulados reduzem a eficácia de sinais que historicamente ajudaram a identificar tentativas de fraude, como erros de escrita ou mensagens genéricas.

    Nesse contexto, ganham relevância as chamadas identidades sintéticas, criadas a partir da combinação de dados reais com informações inventadas ou geradas artificialmente. O desafio para as empresas deixa de ser apenas verificar se os dados apresentados são válidos e passa a incluir a necessidade de avaliar se existe, de fato, uma pessoa por trás daquela identidade.

    Os deepfakes também ampliam esse risco ao comprometer mecanismos tradicionais de confiança. Para a VU, mesmo que essa modalidade ainda não seja a mais frequente, sua capacidade de contornar mecanismos convencionais de verificação já representa uma ameaça que exige novas estratégias de defesa.

    Segurança precisa acompanhar toda a jornada

    Outro ponto de atenção é a necessidade de abandonar a ideia de que a identidade de um usuário é validada apenas uma vez, no momento do cadastro. Uma conta legítima pode ser comprometida posteriormente e apresentar mudanças de dispositivo, localização, comportamento ou contexto. Tentativas de recuperação de contas e ataques de engenharia social também podem ocorrer depois do onboarding. Por isso, a confiança precisa ser reavaliada continuamente.

    Nesse modelo, não basta verificar se uma senha ou credencial está correta. As empresas precisam analisar diferentes sinais, como identidade, dispositivo, comportamento e contexto,  para determinar o nível de risco de cada interação. A estratégia inclui recursos como autenticação multifator, biometria, inteligência de dispositivo e autenticação adaptativa, capazes de aumentar o nível de proteção quando uma interação apresenta características fora do padrão.

    IA também pode ser parte da defesa

    A mesma tecnologia utilizada pelos criminosos também pode contribuir para a prevenção. Modelos de inteligência artificial conseguem analisar grandes volumes de informações simultaneamente, identificar anomalias e reconhecer padrões que seriam difíceis de detectar manualmente, apoiando decisões em tempo real.

    Para Stranieri, entretanto, a IA não deve ser vista como uma solução isolada. “A defesa mais robusta combina tecnologia, regras de negócio, biometria, inteligência de dispositivo, sinais comportamentais e mecanismos de autenticação adaptados ao risco.”

    Diante desse cenário, para o CEO a prevenção a fraudes passa pela construção de uma infraestrutura de confiança capaz de verificar continuamente identidade, dispositivo, comportamento e contexto, aplicando diferentes níveis de autenticação de acordo com o risco identificado.

    Fiquem atentos: 

    Combine uma palavra-código familiar: Estabeleça uma senha verbal secreta com parentes próximos para confirmar a identidade caso receba chamadas de emergência com voz clonada por IA.

    Teste a pessoa na videochamada: Em negociações ou chamadas suspeitas, peça para a pessoa passar a mão na frente do rosto ou virar de perfil; algoritmos de deepfake costumam distorcer a imagem nesses movimentos.

    Desligue e ligue de volta no número oficial: Ao receber alertas urgentes sobre compras ou bloqueio de conta, desligue a chamada e entre em contato direto pelo telefone do verso do cartão ou aplicativo oficial.

    Desconfie de mensagens sem erros de português: A IA escreve textos perfeitos e muito persuasivos; foque no pedido da mensagem (urgência, Pix rápido, transferência) e não no estilo da escrita.

    Digite endereços manualmente: Acesse portais digitando a URL diretamente no navegador, evitando clicar em links de mensagens ou em anúncios pagos do buscador.

    Confirme o recebedor do PIX: Valide se o nome e o CNPJ da chave pertencem exatamente à empresa contratada, e não a um terceiro ou CPF.

    Nunca compartilhe tokens: Nenhuma empresa ou banco solicita códigos de confirmação, senhas ou tokens por ligação ou mensagens.

    Sobre a VU

    A VU é uma empresa de tecnologia especializada em identidade digital, autenticação e prevenção de fraudes. Fundada em 2007, em Buenos Aires, a companhia atua em mais de 30 países e contribui para a proteção de cerca de 350 milhões de usuários ao redor do mundo. Com soluções que combinam biometria, inteligência artificial e autenticação multifator, atende atualmente setores como serviços financeiros, governo, varejo, esportes e gaming.

    Fundada por Sebastián Stranieri, especialista em cibersegurança, a VU tornou-se pioneira no desenvolvimento de tecnologias de autenticação na América Latina após uma experiência pessoal envolvendo um familiar durante um processo de prova de vida. Com mais de duas décadas de experiência no setor, o executivo lidera a missão da empresa de colocar a tecnologia a serviço das pessoas, tornando a vida digital mais simples e segura. A companhia foi eleita por quatro anos consecutivos como Microsoft Partner of the Year e destacada pela Gartner entre os principais players globais de verificação de identidade.

    fraudes golpes digitais IA
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    Anthony Brito
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    CEO do Santotech Media, Analista de sistemas pela UNINASSAU, Desenvolvedor WEB especialista em SEO/GEO, Colider de Comunicação do Farol Digital, Mentor do programa Impulse Campina, Embaixador estadual PUBLYKA. Pai por amor, Músico por hobby e Cristão de todo o coração.

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