A inteligência artificial começa a provocar uma nova transformação no setor contábil brasileiro. Depois de décadas marcadas pela informatização de processos, digitalização de documentos e integração de sistemas, os escritórios passam a incorporar Agentes de IA capazes de executar tarefas de forma contínua, integrada e supervisionada.
Diferentemente de ferramentas tradicionais, que dependem de comandos específicos para responder perguntas ou produzir conteúdos, os agentes podem atuar na execução de processos completos. Entre as aplicações estão o monitoramento de obrigações fiscais, conciliações bancárias, solicitação de documentos, organização de informações, acompanhamento de indicadores e atendimento a dúvidas recorrentes.
A mudança pode alterar a rotina dos escritórios ao transferir parte das atividades operacionais para sistemas inteligentes e permitir que os profissionais concentrem mais tempo em análise, planejamento e relacionamento com clientes.
De ferramenta de apoio a colaborador digital
Os Agentes de IA podem funcionar como colaboradores digitais especializados, acompanhando determinadas rotinas e executando tarefas dentro de regras previamente estabelecidas.
Segundo Mauricio Frizzarin, fundador e CEO da QYON, a evolução representa uma mudança importante na forma como a tecnologia é utilizada pela contabilidade.
“A contabilidade sempre incorporou tecnologia para ganhar eficiência, mas os Agentes de IA representam uma mudança de paradigma.”
Entre as possibilidades citadas pelo executivo estão classificação fiscal, conciliação bancária, comunicação com clientes por WhatsApp ou e-mail, envio de lembretes de prazos e solicitação automática de documentos pendentes.
IA pode aliviar pressão sobre equipes contábeis
Além da automação, a tecnologia surge em um momento de dificuldade para contratar e reter profissionais qualificados no setor.
A proposta é utilizar os agentes para absorver tarefas repetitivas que consomem parte significativa da jornada das equipes. Dessa forma, os profissionais podem direcionar sua capacidade técnica para atividades que dependem de interpretação, experiência e julgamento.
Entre as áreas que podem ganhar mais espaço estão:
- planejamento tributário;
- análise financeira;
- apoio à gestão;
- interpretação de informações;
- relacionamento consultivo com clientes;
- tomada de decisões estratégicas.
Para Frizzarin, essa mudança pode alterar o papel do contador dentro das organizações.
“O resultado é uma mudança efetiva no papel do contador. Os escritórios deixam de investir boa parte da capacidade técnica da equipe em atividades operacionais e passam a direcionar esse conhecimento para se dedicar ao planejamento tributário, apoiar a gestão, produzir análises financeiras e estreitar o relacionamento com os clientes. O contador ganha tempo, efetivamente, para exercer exatamente aquilo que gera mais valor para as empresas.“
Organizações agênticas entram no radar
O avanço dos agentes também acompanha uma tendência observada internacionalmente.
A transformação também responde a um desafio crescente do setor, que se refere ao atendimento de um número cada vez maior de clientes sem aumentar proporcionalmente as equipes.
Nesse cenário, os Agentes de IA são aliados fundamentais para absorver atividades repetitivas, que normalmente consomem horas dos profissionais ao longo da semana, um fato comprovado por estudos da McKinsey, que mostram que profissionais do conhecimento dedicam cerca de 20% da jornada apenas à busca de informações necessárias para executar suas atividades.
Ao automatizar essas rotinas, os escritórios conseguem acelerar fluxos internos, reduzir retrabalho e melhorar a qualidade das informações utilizadas na tomada de decisão.
Nesse modelo, o objetivo não é apenas automatizar tarefas isoladas, mas redesenhar processos inteiros para aumentar a eficiência operacional.
Na contabilidade, essa transformação pode envolver desde a entrada e classificação de documentos até o monitoramento de obrigações, preparação de relatórios e comunicação com clientes.
Operação contínua pode reduzir gargalos
Outro diferencial apontado está na capacidade de os agentes operarem continuamente quando integrados aos sistemas utilizados pelo escritório.
Entre as atividades possíveis estão:
- monitoramento de dados;
- organização de documentos;
- envio de notificações;
- acompanhamento de pendências;
- preparação de informações para análise;
- atendimento inicial aos clientes.
A automação pode reduzir gargalos, retrabalho e tempo gasto na busca de informações, além de aumentar a previsibilidade dos fluxos internos.
Tecnologia não elimina responsabilidade do contador
Apesar do avanço da automação, a própria QYON ressalta que os Agentes de IA não substituem a responsabilidade técnica do profissional de contabilidade.
Atividades que exigem interpretação da legislação, julgamento profissional, validação de informações e atuação consultiva continuam dependendo da experiência humana.
O cenário apontado pela empresa é, portanto, de colaboração entre profissionais e tecnologia, e não de substituição integral do contador.
Contabilidade pode migrar para um modelo mais estratégico
A evolução dos Agentes de IA pode acelerar uma transformação que já vinha ocorrendo nos escritórios contábeis: a migração de um modelo predominantemente operacional para uma atuação mais consultiva.
Com parte das tarefas repetitivas automatizada, o contador pode dedicar mais tempo à interpretação dos dados e à geração de valor para o cliente.
Para Frizzarin, os escritórios que começarem a incorporar essa transformação poderão obter vantagem competitiva nos próximos anos.
“Assim como os sistemas de gestão se tornaram indispensáveis nas últimas décadas, os Agentes de IA caminham para ocupar um espaço central na operação contábil. A diferença é que, desta vez, a tecnologia não apenas organiza informações, mas passa a executar parte do trabalho operacional, permitindo que os escritórios cresçam, atendam melhor seus clientes e atuem de forma muito mais estratégica”, finaliza o especialista em IA e CEO da QYON.”
O que muda para os escritórios
A adoção dos agentes pode representar uma mudança não apenas tecnológica, mas também organizacional.
Os escritórios precisam avaliar quais processos podem ser automatizados, quais exigem supervisão humana e como integrar a IA aos sistemas já utilizados.
Nesse contexto, a vantagem competitiva tende a estar menos na simples adoção de uma ferramenta e mais na capacidade de redesenhar processos, estabelecer controles e combinar inteligência artificial com conhecimento profissional.
Sobre a QYON
Criada no início de 2020, a QYON foi fundada nos Estados Unidos, por Mauricio Frizzarin, profissional reconhecido no mercado brasileiro por ter criado, aos 17 anos, nos idos da década de 1990, a Folhamatic – empresa que revolucionou o setor contábil ao automatizar os processos de criação, administração e controle da folha de pagamento de forma fácil e rápida. A QYON tem como público-alvo os escritórios de contabilidade e amplia o leque para as empresas clientes dessas companhias do segmento contábil.
A empresa entrega a esses dois públicos um sistema completo e totalmente integrado, baseado em Inteligência Artificial, Machine Learning e Big Data, com todas as soluções para as boas práticas de gestão e cumprimento das obrigações fiscais seguindo as exigências do governo brasileiro. Além do Brasil, a Qyon já oferece soluções similares a empresas do Reino Unido e prepara o lançamento do seu ecossistema também nos Estados Unidos.

