A Receita Federal colocou de vez as plataformas de apostas esportivas e jogos online na mira da fiscalização a partir da declaração do Imposto de Renda 2026. Quem ganhou dinheiro em “bets” em 2025, assim como quem terminou o ano com saldo relevante dentro dos aplicativos, passa a ter de prestar contas ao Fisco, sob risco de cair na malha fina.
Quem precisa declarar?
De acordo com a Receita, a obrigação vale para quem recebeu mais de R$ 28.467,20 em prêmios ao longo de 2025 em apostas de quota fixa, categoria que inclui as principais plataformas digitais de apostas esportivas e parte das loterias. Além disso, o contribuinte também deve informar os saldos mantidos nas contas dessas plataformas em 31 de dezembro de 2025, sempre que o valor ultrapassar R$ 5 mil.

“Essas pessoas apuram e pagam o imposto conforme a legislação, e agora também precisam informar esse rendimento na declaração”, resumiu o supervisor do Imposto de Renda da Receita, José Carlos da Fonseca. Ou seja: quem apostou pouco e ficou abaixo do limite segue isento, mas quem teve lucro mais robusto não pode mais deixar esses valores fora do radar do Leão.
Como lançar ganhos e saldos no programa do IR Para 2026, o programa da declaração ganhou campos específicos para informar receitas obtidas em aplicativos de apostas. Os valores são registrados em duas frentes: os ganhos entram como rendimentos tributáveis e os saldos remanescentes nas plataformas devem ser lançados na ficha de “Bens e Direitos”, em código próprio.
Na prática, o apostador precisa organizar o histórico de 2025, com depósitos, prêmios, saques e saldo final. Sobre a parcela do prêmio líquido anual que exceder R$ 28.467,20, incide alíquota de 15%, enquanto valores abaixo desse limite permanecem isentos. Caso haja imposto a pagar, o contribuinte deverá emitir o Darf e quitar até o último dia útil de abril.
Documentos e o novo “ComprovaBet”
Para facilitar o preenchimento, plataformas reguladas se preparam para entregar aos clientes um informe padronizado com o resumo do ano. Batizado de “ComprovaBet”, o documento reúne histórico de movimentações, prêmios obtidos e saldo final, e deve ser disponibilizado até o último dia útil de fevereiro do ano seguinte. A ideia é que o arquivo funcione como um “informe de rendimentos” das bets, espelhando o que bancos e corretoras já fazem com investimentos tradicionais.
Contadores orientam que o contribuinte guarde o ComprovaBet e todos os extratos fornecidos pela plataforma por pelo menos cinco anos, período em que a Receita pode revisar a declaração. Em caso de divergência entre o que foi informado e o que a empresa reporta ao Fisco, esses documentos serão a principal prova de defesa do apostador.
Risco de malha fina aumenta para quem aposta
Risco de malha fina aumenta para quem aposta Com a regulamentação das apostas esportivas e o cruzamento de dados com instituições financeiras, depósitos volumosos em casas de apostas e saques frequentes para contas bancárias passam a acender alertas automáticos na Receita. Ganhos não declarados podem levar à retenção da declaração, cobrança do imposto devido, multa e juros, especialmente se o contribuinte já tiver ultrapassado o limite de isenção anual.
Especialistas lembram que a regularização espontânea, antes de qualquer notificação oficial, tende a reduzir o peso das penalidades, ainda que não elimine o imposto devido. “Do ponto de vista fiscal, bet não é brincadeira; é renda, e renda precisa ser tratada com seriedade”, afirmam tributaristas ouvidos por veículos especializados.
A profissionalização do mercado de apostas
A profissionalização do mercado de apostas As novas exigências empurram o mercado de bets para um grau maior de formalização e transparência no Brasil. Ao criar campos específicos e reforçar a necessidade de informes anuais, a Receita sinaliza que vai tratar ganhos com apostas como qualquer outra fonte de renda variável, com rastreabilidade e cobrança clara.
Para o usuário, a mensagem é direta: a partir do IRPF 2026, quem lucrou com bets e mantém saldo nos aplicativos precisa declarar corretamente para evitar problemas com o Fisco. Em um cenário de fiscalização mais sofisticada, apostar sem declarar é, cada vez mais, uma aposta de alto risco contra o próprio bolso.
EM RESUMO
1. Quem é obrigado a declarar ganhos com bets no IRPF 2026?
Quem, em 2025, recebeu prêmios em apostas de quota fixa (bets, loterias e jogos online) acima do limite anual de isenção de rendimentos tributáveis e se enquadra nas demais regras gerais de obrigatoriedade do IR.
2. Preciso declarar mesmo se não saquei o dinheiro da plataforma?
Sim. Se houve ganho e você terminou 2025 com saldo relevante na casa de apostas, o valor precisa constar na declaração, ainda que o dinheiro não tenha sido transferido para a conta bancária.
3. Onde lançar os ganhos com apostas no programa do IR?
Os prêmios e lucros entram na ficha de rendimentos (conforme orientação oficial daquele tipo de aposta), enquanto o saldo em conta na plataforma é informado em “Bens e Direitos”, com descrição do nome da empresa e do valor em 31/12.
4. Qual é a alíquota de imposto sobre os ganhos em bets?
A parcela dos prêmios anuais que ultrapassar o limite de isenção é tributada, em regra, a 15%, seguindo o modelo aplicado aos ganhos em loterias e apostas de quota fixa, salvo exceções previstas em norma específica.
5. Que documentos devo guardar para me proteger da malha fina?
Relatórios anuais das plataformas (como informes de prêmios e saldos), extratos de movimentação, comprovantes de depósitos e saques, além de qualquer documento que comprove a origem e o valor dos ganhos.
6. O que acontece se eu não declarar meus ganhos com apostas?
A Receita pode identificar divergências ao cruzar dados com plataformas e bancos, reter sua declaração, cobrar o imposto devido com multa e juros e, em casos mais graves, abrir processo de fiscalização.
7. Posso corrigir a situação se esqueci de declarar?
Sim. Você pode enviar uma declaração retificadora, ajustando os valores de prêmios e saldos informados. Quanto antes a correção for feita, menor tende a ser o impacto de juros e multas.
8. Como tratar pequenos ganhos eventuais em bets?
Mesmo ganhos esporádicos devem ser avaliados no contexto do total de prêmios no ano e das demais rendas do contribuinte; se o conjunto superar os limites de obrigatoriedade, a declaração passa a ser necessária.
9. As plataformas vão fornecer um informe específico para o IR?
A tendência é que casas de apostas reguladas disponibilizem um demonstrativo anual com prêmios, tributos retidos (se houver) e saldo final, facilitando o preenchimento da declaração.
10. A fiscalização sobre apostas online vai aumentar?
Sim. Com a regulamentação do setor e a criação de campos específicos no IR, a Receita tende a intensificar o cruzamento de dados e o monitoramento de movimentações ligadas a plataformas de apostas.

