
Nos dias atuais, a água doce tem se tornado um recurso global desejado em função do crescente comércio internacional de commodities cujo processo produtivo faz uso de água, como grãos, gado, fibras, serviços e bioenergia (Hoekstra, 2008).
Como resultado, o uso dos recursos hídricos está especialmente desconectado do local de consumo. A Pegada Hídrica (PH) de um produto, bem ou serviço, é igual ao volume de água doce utilizado, dentro e/ou fora do território nacional. Os resultados geralmente são expressos em m3 / ano ou m3 / capita / ano. Em relação aos principais fluxos de água virtual no mundo, estão relacionados à utilização nas culturas de soja (11%), trigo (9%), arroz (6%) e algodão (4%) (Hoekstra; Chapagain, 2008).
O que é Pegada Hidrica e água virtual?
O conceito de Pegada Hídrica (PH) abrange a informação baseada no conceito de “Água Virtual” e demonstra a real quantidade de água necessária para satisfazer e sustentar cada vez mais as necessidades humanas inseridas no atual modelo econômico que se encontra insustentável (Hoekstra et al. 2011; Aleixo, 2026).
Os conceitos de Água Virtual e Pegada Hídrica, com frequência são utilizados como sinônimos, porém apresentam fundamental diferença, pois permitem identificar os agentes responsáveis pelo “consumo” de água, sejam eles produtores ou consumidores finais.
A Água Virtual, é definida como um indicador de físico da quantidade de necessária para produzir os bens e serviços que serão consumidos por um determinado território ou indivíduo. Assim sendo, a Água Virtual se consolida como um indicador a partir de um ponto de vista da produção, enquanto a Pegada Hídrica (PH) é um indicador com uma perspectiva do processo de consumo (Velázquez et al.. 2011).
A ideia de levar em consideração o uso da água ao longo das cadeias de abastecimento ganhou destaque e interesse após a introdução do conceito. A Pegada Hídrica (PH) é um indicador de uso de água doce que traduz não só no uso direto de água por parte do consumidor ou produtor, mas também no uso indireto.
Portanto, trata-se de um conceito de multidimensional, que revela os volumes de consumo de água por fonte e volumes de consumo de água poluída por todos os tipos de poluição. Todas as componentes de uma Pegada Hídrica são geograficamente e temporariamente especificadas (Hoekstra et al., 2011).
Apresentando-se como um indicador de uso de água, a Pegada Hídrica difere em três aspectos do conceito de “Water Withadrawl”:
- Não inclui o uso de água azul quando a mesma é devolvida para o meio onde foi originada;
- Não está somente restrita ao uso de água azul (água doce superficial ou subterrânea), estando inclusas também a água verde (água oriunda de precipitação) e cinza (água doce poluída baseada nos padrões atuais de qualidade ambiental da água) e ela
- Não está restrita ao uso direto de água, contemplando de forma igualitária o uso de água indireto (Hoekstra et al., 2011).
A Pegada Hídrica oferece uma melhor e mais ampla perspectiva acerca da utilização de sistemas de água doce por parte de produtores e consumidores, apresentando-se como uma medida volumétrica do consumo de água e níveis de poluição.
O impacto ambiental causado na localidade proporcionado pelo consumo de água e nível de poluição depende da vulnerabilidade do sistema de água da localidade geográfica, bem como do número de consumidores e agentes poluidores que utilizam diretamente desse mesmo sistema (Seixas, 2011).
Os cálculos da Pegada Hídrica conduzem a discussões acerca da sustentabilidade e equidade do uso da água, bem como do seu processo de distribuição, proporcionando também uma boa base para avaliação dos impactos ambientais causados na localidade geográfica, quer seja em relação aos aspectos ambientais, sociais e econômicos (Aleixo, 2021).
A Pegada Hídrica média global é de 1.385 m3 por pessoa por ano. Os fatores que influenciam diretamente na Pegada Hídrica são: o volume do consumo, padrão de consumo (considerando o alto consumo de carne), práticas agrícolas e fatores climáticos (Hoekstra, 2008).
Portanto, é de extrema importância a disseminação destes conceitos, haja vista que atualmente estamos vivenciando crises de ordem climática e ambiental, social, econômica sem precedentes, aonde todos nós temos que repensar nossos hábitos de consumo e estilo de vida em prol da sobrevivência da atual e futuras gerações, pois a escassez de água já está levando populações a graves conflitos e aumento da fome em escala mundial. Vamos fazendo a nossa parte, principalmente evitando o desperdício dos recursos naturais e lutando dia a dia por um planeta mais justo, igualitário, acessível, inclusivo e sustentável (Aleixo, 2026).

