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    Economia Criativa 2026: Brasil e Paraíba se preparam para novo ciclo de desenvolvimento

    Com recriação da Secretaria de Economia Criativa e programas estruturantes, o setor promete gerar trabalho, aumento da renda e redução das desigualdades regionais.
    Colunistas 14/01/2026Carlos RuedaPor Carlos RuedaAtualizado em: 14/01/20267 minutos de leitura

    O ano de 2026 começa com a economia criativa brasileira vivendo um momento de inflexão. Após a recriação da Secretaria de Economia Criativa (SEC) pelo Ministério da Cultura em 2025, conforme anunciado pelo próprio MinC, o setor se consolida como eixo estratégico do desenvolvimento social, econômico, ambiental e cultural do país, com políticas públicas estruturantes que prometem transformar a realidade de trabalhadores e empreendedores criativos em todo o território nacional.

    O legado de 2025 e a virada estratégica

    O ano que passou marcou a retomada institucional da economia criativa no Brasil. Segundo dados divulgados pela organização do evento, o MICBR + Ibero-América 2025, realizado em Fortaleza, reuniu cerca de 600 empreendedores de 15 setores criativos e gerou expectativa de R$ 94,5 milhões em novos negócios para os próximos 12 meses, um crescimento de 35% em relação a 2023.

    Paralelamente, de acordo com informações do Ministério da Cultura e da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), o edital Inova Cultura destinou R$ 2 milhões para projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em economia criativa nos nove estados do Nordeste, além do norte de Minas Gerais e Espírito Santo. A iniciativa representa um compromisso claro com a redução das desigualdades territoriais e o fortalecimento dos ecossistemas criativos regionais.

    Em entrevistas à imprensa, a secretária Cláudia Leitão, à frente da SEC, enfatiza que o momento é de construção de “políticas estruturantes” capazes de deixar um legado duradouro, articulando instrumentos de financiamento, formação qualificada e inteligência de dados.

    Três pilares para 2026

    A agenda da economia criativa brasileira para 2026, conforme anunciada pelo Ministério da Cultura, se apoia em três grandes pilares:

    Política Nacional Brasil Criativo: O MinC confirmou que o lançamento da Política Nacional de Economia Criativa estabelecerá princípios, diretrizes e instrumentos para consolidar o setor como estratégia de geração de trabalho decente, renda digna e desenvolvimento sustentável. A política buscará integrar ações federais, estaduais e municipais em torno de objetivos comuns.

    Observatório Celso Furtado: Segundo informações da Secretaria de Economia Criativa, a criação do Observatório de Cultura e Economia Criativa (Obec) responde à necessidade de dados confiáveis para orientar políticas públicas. O observatório articulará uma rede nacional de núcleos de pesquisa e monitoramento, permitindo que decisões sejam baseadas em evidências e não em achismos.

    Programa Nacional Aldir Blanc de Economia Criativa (PNAB-EC): Conforme previsto pelo MinC, o programa será concebido como condição necessária para financiamento federativo contínuo, garantindo recursos previsíveis para estados e municípios, permitindo a estruturação de programas plurianuais em vez de ações pontuais e fragmentadas.

    Territorialização: da teoria à prática

    Um dos eixos mais inovadores da nova política é a estratégia de territorialização. O Programa Kariri Criativo, no Ceará, citado pela SEC como modelo de referência, recebeu investimento de R$ 4,8 milhões e articula redes de empreendedores, fortalece negócios locais e produz conhecimento sobre impacto cultural nas comunidades.

    De acordo com a meta estabelecida pelo Ministério da Cultura, o objetivo é garantir pelo menos um território criativo em cada região do país a partir de 2026, por meio do edital Territórios Criativos via Lei Rouanet/Pronac. Esses territórios integrarão cultura, economia, inovação e desenvolvimento local, reconhecendo as vocações e potencialidades de cada região. Essa estratégia de territorialização encontra terreno fértil em estados como a Paraíba, que já acumula experiências relevantes em economia criativa.

    Paraíba: potencial criativo em expansão

    No cenário nacional, a Paraíba se destaca por experiências municipais inovadoras e pelo reconhecimento internacional de suas cidades. Levantamentos baseados em dados de emprego formal apontam que João Pessoa e Campina Grande concentram cerca de 70% dos aproximadamente 7.264 empregos criativos formais no estado (dados estimados para 2022).

    João Pessoa, reconhecida pela UNESCO como Cidade Criativa do Artesanato, lidera com aproximadamente 45% dos empregos criativos estaduais. Segundo informações da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedest) da capital, o Programa Eu Posso Criar oferece suporte a empreendedores em artesanato, moda autoral e cultura, gerando renda para artesãos e gerando renda para artesãos. Já o Programa do Artesanato Paraibano (PAP), desenvolvido no Centro de Referência do Artesanato (CRAP) em parceria entre município e estado, inova ao integrar design competitivo à produção tradicional da renda renascença e do Filipe Retes.

    Campina Grande, reconhecida pela UNESCO como Cidade Criativa das Artes Midiáticas desde 2021, concentra cerca de 25% dos empregos criativos do estado, segundo estimativas locais. A cidade integra tecnologia e cultura, com destaque para games, audiovisual, design gráfico e a economia gerada pelo São João. O hub local da Rede Brasileira de Cidades Criativas (RBCC), em articulação com o Ecossistema de Inovação de Campina Grande (E.INOVCG), conecta parques tecnológicos, universidades e empreendedores à produção cultural.

    No interior, Cabaceiras se destaca no artesanato em couro. De acordo com dados da Cooperativa Arteza e informações da região do Seridó, são gerados cerca de 400 empregos diretos, impulsionados pelo turismo cinematográfico. Municípios como Alagoa Nova e o Cariri mantêm tradições de bordado e renda por meio de cooperativas que geram renda familiar.

    Infraestrutura de apoio e descentralização

    Segundo informações da Fundação de Educação, Tecnologia e Cultura da Paraíba (Funetec), e em parceria com o Governo do Estado da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-PB) e o Instituto Federal da Paraíba (IFPB), os Birôs Criativos foram implantados em 22 campi do IFPB e UFCG, oferecendo capacitação gratuita para Lei Aldir Blanc e Paulo Gustavo em municípios como Sousa, Patos, Cuité e Sumé, com atendimento de mais de 100 produtores por mês em cada localidade. O Mapa Cultural da Paraíba, plataforma mantida pelo governo estadual, funciona como ferramenta colaborativa para mapeamento de agentes, espaços, eventos e editais.

    Dados das secretarias municipais e estaduais indicam que essas políticas elevaram os empregos criativos em mais de 15% nos últimos dois anos nas principais cidades, mas o desafio para 2026 é descentralizar esse crescimento para o interior.

    Tendências e oportunidades para 2026

    Integração cultura-tecnologia: A convergência entre produção cultural e inovação tecnológica deve se aprofundar, especialmente em cidades como Campina Grande, conforme sinalizam análises do setor. Games, audiovisual, design digital e artes midiáticas ganharão ainda mais espaço.

    Territórios criativos no Nordeste: A parceria MinC-Sudene, conforme anunciada oficialmente, abre caminho para que arranjos como por exemplo Campina Grande-Seridó se candidatem como territórios criativos, articulando universidades, parques tecnológicos e empreendedores em projetos de inovação cultural.

    Observatórios locais: A criação do Obec, segundo o próprio MinC, estimulará núcleos regionais de produção de dados, permitindo que universidades e institutos na Paraíba contribuam com mapeamentos de CNPJs, ocupações, faturamento e cadeias produtivas por segmento criativo.

    Financiamento contínuo: O PNAB-EC, conforme previsto na agenda federal, permitirá que prefeituras estruturem portfólios recorrentes de projetos criativos (festivais, labs, residências, hubs de games, programas de incubação), saindo da lógica de ações pontuais para programas plurianuais.

    Qualificação empreendedora: A Escult, como base de formação massiva segundo dados do próprio programa, será complementada por trilhas locais de empreendedorismo criativo (pré-aceleração, mentoria, labs de projeto) focadas em modelos de negócio, marketing, gestão financeira e uso de inteligência artificial em atividades criativas.

    Turismo criativo: Cidades como Cabaceiras (turismo cinematográfico), João Pessoa (rotas de ateliês) e Campina Grande (economia da experiência em eventos) devem expandir a integração entre cultura, lazer e desenvolvimento local, conforme apontam as tendências do setor.

    Desafios e perspectivas

    Apesar dos avanços anunciados pelo governo federal e pelas gestões municipais, permanecem desafios estruturais: os dados apontam concentração de empregos criativos nas capitais, a necessidade de informações mais precisas sobre o setor informal, a articulação entre diferentes esferas de governo e a garantia de recursos estáveis.

    O ano de 2026 será decisivo para verificar se as políticas anunciadas pelo Ministério da Cultura conseguirão transformar a economia criativa em instrumento efetivo de redução de desigualdades, geração de renda e desenvolvimento sustentável. Para a Paraíba, a oportunidade é clara: aproveitar a articulação da RBCC, que tem em Campina Grande um hub ativo, para consolidar João Pessoa e Campina Grande como referências nacionais e expandir o modelo para o interior, aproveitando as vocações locais e os instrumentos federais de fomento.

    A aposta do governo federal é que, com políticas estruturantes, formação qualificada, financiamento contínuo e gestão por evidências, a economia criativa brasileira deixe de ser apenas promessa para se tornar realidade transformadora no cotidiano de milhares de trabalhadores e empreendedores criativos em todo o país.

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    Carlos Rueda

    Consultor Empresarial, Mentor Internacional de Negócios Inovadores e de Impacto Social, Doutor, Cum Laude, em Economia da Empresa, Mestre em Desenvolvimento de Sistemas para o E-commerce, Mestre em Economia da Empresa pela Universidad de Salamanca (Espanha), Administrador de Instituições de Serviço pela Universidad de La Sabana (Colômbia), +10 anos de experiencia em cargos de liderança, CEO do Núcleo Gestor do Ecossistema de Inovação de Campina Grande (E.INOVCG), Especialista em Empreendedorismo no Parque Tecnológico Horizontes da Inovação (PTHI), Embaixador da Economia Criativa da RBCC - Rede Brasileira de Cidades Criativas (UNESCO), Colunista do Portal Digital Hora Agora, Co-líder do NASA Space Apps International Challenge e do Tech Brazil Advocates Campina Grande.

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