WASHINGTON, 2 Jan – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, bloqueou um acordo envolvendo o setor de semicondutores ao proibir a aquisição de ativos da empresa aeroespacial e de defesa Emcore, sediada em Nova Jersey, pela companhia de fotônica HieFo Corp. A decisão foi justificada por preocupações de segurança nacional e por possíveis vínculos com a China.
Segundo a ordem publicada pela Casa Branca, Trump afirmou que a HieFo é “controlada por um cidadão da República Popular da China” e que a aquisição realizada em 2024 poderia levar a ações que “ameaçam prejudicar a segurança nacional dos Estados Unidos”. O documento não detalha quem seria o indivíduo citado nem especifica quais riscos concretos foram identificados.
Ordem determina desinvestimento em até 180 dias
A determinação presidencial proíbe formalmente a transação e ordena que a HieFo se desfaça de todos os interesses e direitos relacionados aos ativos da Emcore, em qualquer local, no prazo máximo de 180 dias.
A análise do caso foi conduzida pelo Committee on Foreign Investment in the United States (CFIUS), que identificou riscos à segurança nacional durante a investigação, conforme comunicado do U.S. Department of the Treasury. Assim como a Casa Branca, o Tesouro não detalhou a natureza desses riscos.
Até o momento, HieFo e Emcore não se pronunciaram publicamente sobre a decisão. As empresas também não publicaram reações oficiais em seus sites.
Detalhes do negócio
À época do acordo, a Emcore então uma empresa de capital aberto, posteriormente fechada informou que a HieFo adquiriu seu negócio de chips e operações de fabricação de wafers de fosfeto de índio por cerca de US$ 2,92 milhões (aproximadamente US$ 3 milhões). A HieFo declarou que foi cofundada por Genzao Zhang, ex-vice-presidente de engenharia da Emcore, e Harry Moore, descrito em seu perfil profissional como ex-diretor sênior de vendas da Emcore.
Contexto estratégico
A decisão reforça a postura do governo norte-americano de endurecer o escrutínio sobre aquisições envolvendo tecnologias sensíveis, especialmente no setor de semicondutores, considerado estratégico. Nos últimos anos, Washington tem ampliado o uso do CFIUS para bloquear ou impor condições a transações com potenciais implicações geopolíticas, sobretudo quando há ligações diretas ou indiretas com a China.
FONTE: CYBERSECBRAZIL / REUTERS


