O Serviço de Inteligência de Defesa da Dinamarca (FE) anunciou a abertura de inscrições para sua “Academia de Hackers”, marcando a primeira oportunidade de ingresso no programa em seis anos. Realizado pela primeira vez em 2016, o programa surge num momento em que a Dinamarca está sob pressão dos Estados Unidos, cujo governo manifestou interesse em dominar o território da Groenlândia, ao mesmo tempo em que há uma tendência dos Estados democráticos em direção a operações cibernéticas ofensivas. Canadá, Alemanha, Finlândia, França, Japão, Países Baixos, Polônia e Suécia já atualizaram ou estão atualizando sua legislação para dar cobertura jurídica a operações cibernéticas ofensivas.
O curso intensivo, com duração de cinco meses, visa identificar e treinar os talentos mais promissores do país para atuar em operações cibernéticas ofensivas. Os selecionados trabalharão na infiltração de redes adversárias para coleta de informações vitais à segurança nacional da Dinamarca.

A iniciativa ocorre em um momento de crescente preocupação com a infraestrutura crítica dinamarquesa, que tem sido alvo de ataques persistentes. Segundo o FE, a agência busca os “2% melhores” talentos na área de segurança de TI, oferecendo um ambiente de trabalho único, dado que o serviço é a única entidade dinamarquesa legalmente autorizada a realizar operações de hacking ofensivo contra alvos estrangeiros. O treinamento está previsto para começar em 3 de agosto de 2026.
Seleção baseada em talento e perfil psicológico
O diferencial do processo seletivo é a ausência de requisitos formais de escolaridade ou idade. De acordo com a inteligência dinamarquesa, os candidatos são avaliados puramente por suas habilidades técnicas, QI, capacidade de aprendizado e características de personalidade. Thomas Ahrenkiel, chefe do FE, observa que o programa busca pessoas com a atitude correta e disposição para aprender, independentemente de terem acabado de sair do ensino básico ou possuírem um doutorado.
O conceito do treinamento é inspirado nos métodos de seleção das forças especiais, enfatizando a resiliência e a capacidade de colaboração em equipe. Os alunos da academia desenvolverão competências em técnicas de hacking, descriptografia de comunicações e contrainteligência. Aqueles que concluírem o curso com sucesso receberão propostas de emprego em tempo integral dentro da agência de inteligência.
FONTE: CISO ADVISOR

