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    Home»Colunistas»A nova televisão já começou — e o dinheiro das marcas está seguindo a audiência

    A nova televisão já começou — e o dinheiro das marcas está seguindo a audiência

    Podcasts, creators e canais de vídeo estão deixando de vender apenas audiência e passando a oferecer ecossistemas completos de mídia — enquanto a publicidade digital brasileira já movimenta R$ 42,7 bilhões
    Colunistas 23/08/2026Anthony BritoPor Anthony Brito8 minutos de leitura
    Nova televisão digital transforma podcasts em emissoras de conteúdo para marcas
    Podcasts e creators estão criando estruturas de mídia capazes de combinar programação, vídeo, comunidades e publicidade. creditos: Imagem gerada por IA

    Existe uma mudança acontecendo no mercado de conteúdo que pode passar despercebida para quem olha apenas para número de inscritos ou visualizações.

    Os grandes podcasts brasileiros começaram como programas de entrevista, os famosos mesacasts.

    Agora, alguns estão construindo algo muito maior: operações de mídia com vários programas, apresentadores, formatos, verticais e possibilidades comerciais.

    É o movimento que pode ser chamado de emissora digital.

    E o mais interessante é que essa transformação acontece justamente quando as marcas estão colocando cada vez mais dinheiro no ambiente digital.

    O Brasil movimentou R$ 42,7 bilhões em publicidade digital em 2025, crescimento de 12,7% sobre 2024 e de 80% desde o início da série, em 2020. O vídeo foi o principal formato, com 49% dos investimentos, enquanto social media respondeu por 55% da verba entre os canais.

    Não é apenas uma mudança de conteúdo. É uma mudança de negócio.

    Do podcast para a emissora

    O modelo tradicional de mesacast é relativamente simples:

    apresentador + convidado + conversa + publicação.

    O problema aparece quando o negócio cresce.

    Se a audiência depende principalmente do convidado, existe uma dependência permanente da agenda, do carisma e do ineditismo daquela pessoa.

    Essa é justamente uma das questões apontadas na análise que serviu de base para esta coluna. O modelo clássico acaba muito dependente do entrevistado, enquanto os projetos maiores começam a criar ativos próprios, elencos fixos e programas autorais.

    A lógica começa a mudar para:

    programa → programação → audiência recorrente → comunidade → negócio.

    Essa é a diferença fundamental.

    O que é uma emissora digital? Um novo termo?

    Não significa simplesmente colocar vários podcasts dentro de um mesmo canal.

    A ideia é mais ampla.

    Uma emissora digital passa a trabalhar com:

    • grade de programação;
    • programas recorrentes;
    • apresentadores e elencos;
    • diferentes formatos;
    • verticais temáticas;
    • distribuição multiplataforma;
    • produção contínua;
    • estratégia de retenção;
    • novas propriedades comerciais.

    A análise original identifica exatamente esses elementos como características dessa nova estrutura.

    A televisão tradicional já conhecia essa matemática.

    Você não precisava convencer o público a assistir televisão todos os dias.

    Precisava criar uma programação que fizesse o público voltar.

    A internet está redescobrindo essa lógica.

    Como disse o Creator PH Santos em seu canal no youtube: “A tv está correndo atrás, mas está tão atrasada que a Internet deu a volta e já está alcançando novamente, e ela não percebe por que não tem retrovisor”


    O segredo está na recorrência

    Existe uma diferença importante entre:

    “Eu vi esse vídeo.”

    e

    “Eu acompanho esse canal.”

    A primeira situação é consumo ocasional.

    A segunda é relacionamento.

    Uma grade ajuda justamente a criar esse segundo comportamento.

    Quando existem horários e programas recorrentes, o público passa a saber o que encontrará e quando encontrará. Segundo a análise, isso transforma o canal de um lugar de visitas esporádicas em um destino recorrente.

    É aí que aparece um dos ativos mais importantes de uma empresa de mídia:

    o hábito da audiência.


    Podpah: um exemplo dessa transformação

    O caso do Podpah ajuda a visualizar o que está acontecendo.

    Em 2026, a Exame descreveu o Podpah como uma operação que já funciona como grupo de mídia, com cerca de 100 funcionários e uma sede de 6.500 m². O projeto criou o Podpah TV e passou a reunir diferentes programas e formatos, além de outras frentes de negócios.

    A mudança é estratégica.

    O podcast original deixa de ser o negócio inteiro.

    Passa a ser uma das peças de uma estrutura maior.

    A própria Exame informa que o podcast representa cerca de 20% da receita total da operação, segundo os dados apresentados na reportagem.

    Isso é bastante revelador.

    Se o podcast fosse o negócio inteiro, praticamente toda a receita dependeria dele.

    Quando ele representa uma parte de um ecossistema, a empresa pode crescer por diferentes caminhos.

    E o investimento acompanha essa ambição

    Em abril de 2026, o CEO do Grupo Podpah informou à Forbes que os sócios haviam investido mais de R$ 10 milhões de capital próprio na construção de um hub multimídia com mais de 4 mil m².

    A empresa também estabeleceu o objetivo de ultrapassar R$ 100 milhões de faturamento.

    É importante entender o significado desse investimento.

    Não se trata apenas de construir um estúdio mais bonito.

    Uma infraestrutura maior aumenta a capacidade de:

    produzir → distribuir → criar novos formatos → atender marcas → desenvolver propriedades → gerar novas receitas.

    Ou seja:

    infraestrutura também é capacidade comercial.


    Enquanto isso, o dinheiro das marcas está indo para o digital

    Aqui está a segunda parte dessa história.

    Segundo o Digital Adspend 2026, do IAB Brasil em parceria com o Ibope, o mercado brasileiro de publicidade digital movimentou R$ 42,7 bilhões em 2025.

    A divisão por formatos mostra:

    FormatoParticipação
    Vídeo49%
    Texto26%
    Imagem25%

    Entre os canais:

    CanalParticipação
    Social media55%
    Search26%
    Publishers e verticais19%

    Fonte: IAB Brasil/Ibope, Digital Adspend 2026, ano-base 2025.

    Se aplicarmos os 49% de vídeo sobre os R$ 42,7 bilhões, chegamos a aproximadamente R$ 20,9 bilhões.


    O anunciante também mudou

    O crescimento não está acontecendo somente do lado dos veículos.

    As marcas também estão mudando sua estratégia.

    Pesquisa ROI & Influência 2025, da YOUPIX em parceria com a Nielsen, mostrou que 57% das marcas brasileiras planejavam aumentar seus investimentos em marketing de influência.

    Entre as empresas que já investiam mais de R$ 1,5 milhão por ano nessa área, 65% pretendiam aumentar novamente a verba.

    E 12% das marcas pesquisadas já investiam mais de R$ 5 milhões por ano em marketing de influência.

    Isso mostra uma evolução importante:

    creator deixou de ser apenas uma pessoa que divulga uma marca.

    Pode ser também um canal de mídia.


    E aqui está a conexão com as emissoras digitais

    Imagine uma marca que deseja atingir uma audiência de tecnologia.

    Ela poderia comprar:

    um anúncio.

    Mas também poderia comprar:

    um programa patrocinado + cortes + Shorts + posts + conteúdo especial + evento + presença no portal.

    A lógica muda.

    Em vez de vender apenas:

    espaço publicitário

    a emissora digital pode vender:

    um ecossistema de atenção.

    Isso é muito mais próximo do que os grandes grupos de mídia tradicionais sempre fizeram.

    A nova televisão não tem antena

    Essa é a ironia.

    A internet nasceu prometendo acabar com a televisão.

    Mas agora está recuperando alguns dos conceitos que fizeram a televisão funcionar:

    programação, recorrência, hábito, apresentadores, formatos e fidelização.

    A diferença é que a nova televisão possui:

    algoritmos + dados + interação + nichos + distribuição global + comunidade.

    A análise que originou esta coluna identifica justamente esse movimento: os grandes mesacasts estão incorporando elementos de programação, diversificação e estrutura de hub para deixar de depender exclusivamente da entrevista.


    Minha conclusão

    Não acredito que o podcast esteja morrendo.

    Acredito que o podcast está deixando de ser o produto final.

    O que está surgindo é algo maior.

    O programa vira uma propriedade.

    O apresentador vira uma marca.

    A audiência vira uma comunidade.

    A comunidade vira um ativo.

    E o ativo passa a ser monetizado por diferentes produtos.

    Ao mesmo tempo, as marcas estão aumentando a presença no digital, especialmente em vídeo, social e creator marketing.

    Por isso, talvez a pergunta mais importante para quem trabalha com conteúdo não seja:

    “Como faço meu podcast crescer?”

    Mas:

    “Como transformo minha audiência em uma empresa de mídia?”

    Essa é, na minha visão, a verdadeira oportunidade.

    A nova televisão já começou.

    Ela só não precisa mais de uma antena.

    FAQ

    1. O podcast está acabando?

    Não. O que está mudando é o modelo de negócio. Grandes operações estão ampliando o podcast para uma estrutura com diferentes programas, formatos e propriedades de mídia.

    2. O que é uma emissora digital?

    É uma operação de mídia que reúne programação, múltiplos formatos, apresentadores, verticais e distribuição digital, buscando criar audiência recorrente.

    3. Por que os mesacasts estão criando outros programas?

    Para reduzir a dependência de convidados e criar ativos próprios capazes de gerar hábito, retenção e novas oportunidades comerciais.

    4. Quanto o Brasil investiu em publicidade digital em 2025?

    O mercado movimentou R$ 42,7 bilhões, segundo o Digital Adspend 2026, do IAB Brasil em parceria com o Ibope.

    5. Qual formato recebeu maior participação da publicidade digital?

    O vídeo liderou com 49% dos investimentos em 2025.

    6. As marcas estão aumentando o investimento em creators?

    Sim. A pesquisa ROI & Influência 2025, da YOUPIX/Nielsen, apontou que 57% das marcas pretendiam aumentar o investimento em marketing de influência.

    7. O que o caso Podpah demonstra?

    Demonstra como uma operação nascida como podcast pode evoluir para um grupo de mídia com diferentes programas, negócios e estruturas. Em 2026, a empresa informou investimento superior a R$ 10 milhões em um hub multimídia e objetivo de ultrapassar R$ 100 milhões em faturamento.

    8. Por que a grade ajuda uma emissora digital?

    Porque programas recorrentes e horários definidos podem criar hábito e tornar a audiência mais previsível e recorrente.

    9. O que uma emissora digital vende para uma marca?

    Pode vender publicidade, patrocínio, branded content, programas, temporadas, eventos, distribuição multiplataforma e associação da marca a propriedades editoriais.

    10. Qual é o principal ativo de uma emissora digital?

    Além da marca e do conteúdo, um dos principais ativos é a atenção recorrente de uma audiência qualificada.

    11. Uma mídia pequena pode adotar esse modelo?

    Sim. Não é necessário começar com dezenas de programas. É possível começar com uma vertical ou programa principal e expandir conforme audiência, capacidade de produção e receita.

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    Anthony Brito
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    CEO do Santotech Media, Analista de sistemas pela UNINASSAU, Desenvolvedor WEB especialista em SEO/GEO, Colider de Comunicação do Farol Digital, Mentor do programa Impulse Campina. Pai por amor, Músico por hobby e Cristão de todo o coração.

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