O Brasil continua sendo o principal alvo de ataques de ransomware na América Latina. Entre janeiro e o início de julho de 2026, o país registrou 99 ataques, número que já representa 67% de todas as ocorrências contabilizadas ao longo de 2025, quando foram registrados 147 casos. Mantido o ritmo atual, a expectativa é que 2026 encerre o ano com um volume significativamente superior ao do período anterior.
Os dados fazem parte de um levantamento da Vision Cybersecurity, spin-off da ISH Tecnologia, que monitora a atuação de grupos especializados em extorsão digital em diversos países.
Brasil concentra mais de um terço dos ataques da América Latina
O estudo aponta que o Brasil respondeu por 36,3% dos 273 ataques de ransomware identificados na América Latina durante o período analisado, mantendo uma liderança isolada na região.
Na sequência aparecem:
- México (67 ataques);
- Argentina (31);
- Colômbia (29);
- Chile (20);
- Peru (18);
- Paraguai (9).
Além da liderança regional, o Brasil permanece entre os 10 países mais atacados do mundo, reforçando o cenário de alta exposição das organizações nacionais às ameaças cibernéticas.
Digitalização amplia superfície de ataque
Segundo a análise da Vision Cybersecurity, a preferência dos criminosos pelo mercado brasileiro está relacionada ao alto nível de digitalização das empresas e serviços essenciais, aliado a investimentos que nem sempre acompanham a evolução das ameaças.
Os ataques são direcionados principalmente para organizações cuja interrupção das operações pode provocar prejuízos financeiros elevados, aumentando a pressão para o pagamento de resgates.
Empresas de serviços lideram entre os alvos
O levantamento mostra que o setor de serviços corporativos foi o mais atingido em 2026, concentrando 27 vítimas, o equivalente a 27,3% dos ataques registrados.
Na sequência aparecem:
- Manufatura: 14 vítimas (14,1%);
- Educação: 11 vítimas (11,1%);
- Agronegócio: 9 vítimas (9,1%);
- Saúde: 7 vítimas (7,1%).
Segundo os especialistas, empresas de consultoria e prestação de serviços são especialmente atrativas porque armazenam informações estratégicas e frequentemente possuem acesso aos ambientes tecnológicos de diversos clientes.
Mercado criminoso passa por transformação
O estudo também revela mudanças no cenário do cibercrime.
Embora o grupo LockBit 5 continue liderando as ocorrências no Brasil, novos grupos vêm ampliando sua atuação, entre eles TheGentlemen, Incransom e CoinbaseCartel.
A expansão do modelo Ransomware-as-a-Service (RaaS) também contribui para a fragmentação do mercado criminoso, permitindo que diferentes organizações utilizem plataformas prontas para realizar ataques de extorsão digital.
Entre as técnicas mais utilizadas pelos criminosos estão:
- dupla extorsão;
- exploração de credenciais corporativas vazadas;
- invasão de VPNs sem autenticação multifator (MFA).
Segundo semestre exige atenção redobrada
A Vision Cybersecurity projeta um aumento das tentativas de exploração de vulnerabilidades em sistemas expostos à internet durante o segundo semestre de 2026, especialmente em organizações que atrasam a aplicação de atualizações de segurança.
Para reduzir os riscos, os especialistas recomendam que empresas adotem medidas como:
- autenticação multifator (MFA) em todos os acessos remotos;
- segmentação das redes internas;
- backups offline com testes periódicos de restauração;
- monitoramento contínuo por soluções de detecção e resposta (EDR/XDR);
- atualização constante de sistemas e aplicações.
A avaliação é que o ransomware deixou de ser apenas uma ameaça tecnológica para se tornar um risco estratégico à continuidade dos negócios, exigindo que a cibersegurança seja tratada como prioridade pelas organizações.
FONTE: CISO ADVISOR


