O Brasil estuda a construção de um linhão de transmissão estimado em R$ 17 bilhões que pode ajudar a reduzir o desperdício de energia eólica e solar no país. O projeto pretende transportar eletricidade produzida no Nordeste para o Sul, ampliando a capacidade da rede elétrica e diminuindo perdas no sistema.
A proposta surge em meio ao aumento do chamado curtailment, situação em que usinas renováveis precisam interromper a geração porque a rede de transmissão não consegue escoar toda a energia produzida.
O projeto foi batizado de Corredor Expresso Bipolo Nordeste 2 e é considerado um dos maiores investimentos planejados para o sistema elétrico brasileiro.
Linhão vai conectar Nordeste e Sul do Brasil
O novo corredor de transmissão deve ligar Angicos, no Rio Grande do Norte, a Itaporanga, no Paraná, atravessando grande parte do território brasileiro.
A obra permitirá aumentar o transporte de energia gerada no Nordeste, região que concentra grande parte dos parques eólicos e solares do país.
Caso avance, o projeto se tornará um dos maiores já planejados no setor de transmissão elétrica no Brasil, ficando atrás apenas de um empreendimento de cerca de R$ 18 bilhões que conecta Maranhão a Goiás.
Desperdício de energia renovável preocupa setor elétrico
Nos últimos anos, o Brasil passou a enfrentar um aumento no desperdício de energia renovável.
Em 2025, o Brasil “jogou fora” cerca de 20% da energia eólica e solar devido aos cortes de geração, segundo estudo da Volt Robotics. A consultoria estimou em R$ 6,5 bilhões a perda de receita das empresas do setor.
Essa limitação provocou perdas estimadas em R$ 6,5 bilhões em receita para empresas do setor elétrico, já que parte da produção não conseguiu ser entregue ao sistema.
Com o novo linhão, o objetivo é ampliar a capacidade da rede e reduzir essas interrupções na geração.
Projeto prevê tecnologia inédita no Brasil
O empreendimento prevê a construção de um sistema bipolo em corrente contínua, tecnologia considerada mais eficiente para transportar energia por longas distâncias.
Outra novidade será o uso da tecnologia VSC (Voltage Source Converter), ainda inédita no sistema elétrico brasileiro.
Esse tipo de solução é mais adequado para integrar fontes renováveis intermitentes, como energia eólica e solar, garantindo maior estabilidade para a rede elétrica.
Leilão pode acontecer em 2027
Os estudos técnicos do projeto foram entregues pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) no final de 2025.
A expectativa é que o governo realize o leilão da obra em 2027, após a conclusão das análises e definição do modelo de concessão.
Além da linha principal, o projeto também prevê reforços em outras redes de transmissão. Somando todas as obras necessárias, o investimento total pode chegar a R$ 25 bilhões.
A expectativa do mercado é que grandes empresas de infraestrutura participem da disputa pelo projeto.
FONTE: Brazil Journal

